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  • Marcelo Apovian

Alan e a Performance


Resumo da história:

Não gosto de falar sobre filantropia porque, no meu conceito, quem faz doação não precisa de torcida. Por outro lado, não acho que dinheiro resolve a distância social, o elemento de transformação é a educação. Essa sim é perene e definitivo. Ninguém tira de nós nosso aprendizado.

Em maio de 2020 fui aceito como Mentor da Quintessa. Fundada por Leo Figueiredo, ex-Hedging-Griffo, a Quintessa tem como proposito garantir que empresas sejam relevantes na solução dos desafios sociais e ambientais centrais do nosso país.


Em novembro de 2020 fui convidado para mentorar a Parças – empresa que tem como propósito transformar o sistema carcerário brasileiro em um centro de treinamento para tecnologia. O fundador chama-se Alan Almeida. Ele próprio vindo de um bairro da periferia, via os “ricos” usando carrões, motos e relógios poderosos começou a se revoltar com as diferenças que a vida tinha imposto. Mãe costureira, pai frequentador de bar, sua expectativa não era das melhores, vendia sorvete na padaria para poder ajudar a família. O dono da padaria, que também era da comunidade, já tinha sido assaltando 5 vezes, até que pediu ajuda para o garoto, caso contrário teria que fechar o estabelecimento - queria uma arma para se defender. A mãe de Alan, que sempre foi presente, sentiu cheiro de coisa ruim e antes que o pior pudesse ocorrer, deu um trato no filho. Recado dado, foi recado absorvido. A dura que recebeu mostrou que por ali não daria certo. Alan estudou direito, trabalhou por 5 anos em escritório de advocacia e viu que naquele mundo novo as pessoas falavam bonito e sabiam muito. Era a porta que ele precisava para encontrar o caminho do sucesso, teve espaço para aprender. Depois entrou no programa de cotas raciais do Citibank na área de derivativos, mas viu que era no departamento de tecnologia que a coisa acontecia de verdade. Começou a estudar programação, pediu transferência de departamento, até que o banco foi vendido para o Itaú. Já casado e a mulher esperando o primeiro filho, não poderia correr risco de ficar desemprego. Recebeu proposta da Natura para ganhar R$ 10.000 como programador, um caminhão de dinheiro para quem vendia sorvete na padaria. mas Alan queria mais, além de ganhar bem.


Em 2017 fundou a {Parças} Developers®, empresa de recrutamento, treinamento em programação e inserção no mercado de trabalho de pessoas em situação de vulnerabilidade e ou em privação de liberdade. Já são mais de 300 pessoas empregadas, muitos deles ganhando mais de R$ 10.000 ao mês. Pessoas que não tinham nada e hoje tem casa, filhos e perspectiva. Alan e sua equipe, tem como meta transformar as penitenciarias em escolas e assim dar uma segunda chance para quem não tem chance alguma. Acabou entrando no olho dos investidores, e na semana passada assinou contrato com o Nubank, que virou sócio e vai aportar recurso para ajudar a acelerar ainda mais o crescimento. No momento que se fala tanto de diversidade, racismo, inclusão social e ESG, atitudes como a do Nubank fazem a gente acreditar que a diversidade não vai ser somente uma estratégia de marketing. E o Alan? Bom, ele é uma daquelas pessoas de altíssima qualidade e performance - pessoas como ele tem a vontade de fazer mais e melhor diariamente, são eternos inquietos, tem foco, determinação, resiliência, amam o que fazem, são humildes e tem muita garra. Para eles não existe limite, nem a pobreza.


Na foto, o anuncio do Nubank na Forbes e na sessão virtual de mentoria comemorando com o Alan e o Gabriel (gestor da Quintessa) o fechamento do negócio com a fintech.

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